Conheça a história de Branco Uchôa, 1° prefeito de Presidente Vargas

O município de Presidente Vargas homenageia neste dia 10 de novembro, anualmente, a memória do primeiro prefeito eleito de Santa Luzia dos Daréu.

O Branco Uchôa(in-memory) eternizado pela Acadamia Vargengrandense de Letras e Artes – AVLA, ocupada pela cadeira do professor José Amadeus de Presidente Vargas.

A história de Wladimir Barbosa Uchôa se inicia com a chegada de seus pais no povoado Santa Luzia dos Daréus no ano de 1908. Seu pai o Senhor Boaventura Barbosa Uchôa e sua mãe Emília de Sá Cavalcante Uchôa que vinheram morar no lugar a convite do Coronel Pedro Daréu que os a encontrou em uma de suas viagens morando na cidade de Barra do Corda-MA.
Feito e aceite o convite de Pedro Daréu, Boaventura Uchôa e Emília de Sá vinheram com todos os filhos e filhas Uchôas morar na pequena povoação de Pedro Daréu, a comunidade de Santa Luzia do Daréu que pertencia a cidade de Itapecuru-Mirim. Com o casal vinheram seus filhos/as, que são eles/elas:
 José Barbosa Uchôa,
 Cândida de Sá Uchôa,
 Raimundo Barbosa Uchôa,
 Isabel de Sá Uchôa,
 João Barbosa Uchôa,
 Ótilia de Sá Uchôa,
 Francisco Barbosa Uchôa e
 Pedro Barbosa Uchôa.

Meses depois da chegada da família, dona Emília de Sá que já havia chegado em Santa Luzia do Daréu grávida, deu à luz a Wladimir Barbosa Uchôa, aos 04 dias do mês de maio de 1909 no povoado Santa Luzia do Daréu, era o nono filho do casal recém-chegado na localidade. Já maior de idade e apelidado de Branco Uchôa, Wladimir que conseguiu se alfabetizar com a ajuda de seu irmão Pedro e cartilhas de ABC, se casou com uma jovem de nome (Maria Rodrigues) do povoado Olho D´agua dos Mendes do Município de Itapecuru-Mirim que veio a falecer por complicações de parto. Anos depois, em 1935 já com 26 anos de idade, Branco Uchôa se casou novamente com a neta de Pedro Daréu a senhora Emília Clara da Costa Uchôa (nascida em 03/10/1917) filha de Capitulina Folgosa da Costa, filha de Pedro Daréu, que moravam na cidade de Vargem Grande. Após o casamento, Branco Uchôa continuou a morar com a sua nova esposa no mesmo povoado em que nasceu e cresceu “Santa Luzia do Daréu”, sua primeira Filha Raimunda Costa Uchôa (Diquinha Uchôa) nasceu em 26 de dezembro de 1936. A segunda filha, Maria do Nascimento da Costa Uchôa (Nasci Uchôa) nasceu em 25 de dezembro de 1937 estas filhas nasceram no mesmo povoado do pai. No ano de 1938, Branco Uchôa e dona Emília decidiram mudar-se de lugar e resolveram morar no povoado Fincapé, localidade que ficaria mais próximo da cidade de Vargem Grande.

O real motivo da decisão de sair do povoado no qual nasceu, se criou e se casou foi a tentativa de ser comerciante nesta região. No período em que morou no povoado Fincapé tiveram mais três filhos, Creusa Costa Uchôa (Creusa Viana), Maria das Neves da Costa Uchôa (in-memória Nevinha Uchôa, que veio a falecer aos 9 meses de idade) e Raimundo da Costa Uchôa (Nato Uchôa). Naquele período, houve uma tragédia em sua moradia, aonde a sua casa foi incendiada, um acidente não intencional, pois a residência era de palha e pau-a-pique, e uma de suas filhas ao brincar com a lamparina acessa e fogo acabou ocasionando o incidente. Sendo assim, a família perdeu tudo que haviam conquistado. Branco Uchôa e dona Emília ainda ficaram morando um mês em uma casa de estribaria e só depois decidiram sair deste povoado e foram embora para a sede do município, a cidade de Vargem Grande, para que seus filhos pudessem estudarem nas escolas de Vargem Grande. Ainda era o ano de 1944 quando Branco Uchôa, dona Emília e seus filhos chegaram à cidade de Vargem Grande para morar definitivamente. Lá tiveram juntos, mais oitos filhos, que são eles: José da Costa Uchôa (Zuca Branco) no qual dona Emília já havia chegado grávida, Zuca Branco nasceu em 23 de fevereiro de 1945. Posteriormente, nasceram:

 Luísa da Costa Uchoa (Lulu Uchôa),
 Maria Uchôa Costa (dona Ceci Uchôa),
 Antônio da Costa Uchoa,
 Domingos da Costa Uchôa (Dudu Uchôa),
 João Batista Costa Uchôa,
 Maria do Carmo Costa Uchôa e,
 Paula Francinete Costa Uchôa (Franci Uchôa).

Após o nascimento destes filhos/as, dona Emília Clara e Branco Uchôa criaram Isabel filha adotiva. Branco Uchoa durante toda a sua vida foi lavrador rural e sustentava sua família com o trabalho ardo da lavoura e da roça. Após a sua chegada no ano de 1944 na cidade de Vargem Grande, com a sua sabedoria e leitura, no qual era alfabetizado e aprendera sem ajuda de professor, apenas com a ajuda de seu irmão Pedro e leitura em cartilha de ABC. Por esta questão teve amigos políticos que passaram a admirá-lo e incentivá-lo a entrar na carreira política.
Branco Uchôa entusiasmado ingressa na política aos 35 anos de idade através da motivação do prefeito de Vargem grande Roberto Leite e do seu amigo e companheiro político Domingos Costa, no qual ele fez uma homenagem dando o nome a um filho seu, Domingos Uchôa Costa, vulgo Dudu Uchôa.

Por meio destes amigos Branco Uchôa concorre a uma vaga na câmara de vereadores daquela cidade. E em 03 de outubro de 1950 teve a sua primeira conquista na política, se elegendo a vereador daquele município para o seu primeiro mandato assumindo em 26 de janeiro de 1951 como vereador da Câmara Municipal de Vargem Grande.

Nas eleições seguintes, conseguiu se eleger em 1954 e 1958 a vereança chegando a ser até presidente da câmara nos anos de 1955 e 1960, neste período sempre esteve presente na comunidade de Santa Luzia dos Daréus, povoado no qual demostrava muito amor e afeição, pois era a sua terra natal aonde nasceu, cresceu e se casou.
No período em que foi vereador e presidente da câmara municipal, em meio a conflitos políticos, chegou a assumir a prefeitura Municipal de Vargem Grande como prefeito municipal substituindo o prefeito Domingos Costa. Porém não ficou muito tempo na gestão, pois foi o período da Quarta República, também conhecida como República Populista, o Presidente da República era Getúlio Vargas.

Neste período sofreu uma tentativa de assassinato em plena votação na sessão da Câmara Municipal no qual era presidente e tinha direito de votar duas vezes, na confusão o seu companheiro o vereador Dico Fiapo da cidade de Nina Rodrigues foi atingido a faca por alguém que estava no plenário da câmara para executar Branco Uchôa, e, seu colega a vereança veio a óbito no local ao tentar defender o amigo Branco Uchôa, houve tiroteio e muita violência.
Através do seu grupo político no qual fazia oposição ao governo, Branco Uchôa foi convidado a mudar de grupo político se tornando candidato a vice-prefeito do seu opositor o Coronel Firmino Gomes, chapa esta que saiu vitoriosa nas eleições municipais de 1960, o Coronel Firmino Gomes Prefeito e Branco Uchôa Vice-prefeito, tomaram posse no dia 31 de janeiro de 1961. Neste período apoiou seu sobrinho Tunico Frazão no qual era o presidente da Câmara de vargem Grande.
Em 1961, como vice-prefeito de Vargem, iniciou-se a luta pela criação do Município de Presidente Vargas, na época o nome do projeto era Santa Luzia do Daréu. Neste período o governo do Estado deu oportunidade para que os povoados com grande número de moradores se emancipassem politicamente.

Em 1962, Branco Uchoa (vice-prefeito) e o vereador Tunico Frazão (Antônio Uchoa Frazão), que era sobrinho de Branco Uchôa e também era neto de Pedro Daréu, seu pai era Martiniano filho de Pedro Daréu), Tunico frazão representava o povo daquela comunidade na câmara Municipal de Vargem Grande, decidiram lutar pela criação e emancipação politica do povoado Santa Luzia do Daréu.

Neste período a cidade de Vargem Grande na qual Santa Luzia do Daréu já a pertencia, houve grandes discussões entre líderes políticos, pois dois município seriam criados e desmembrados de Vargem Grande. No entanto o município de Nina Rodrigues chegou a ser criado primeiro enquanto Santa Luzia do Daréu (mais tarde: Presidente Vargas), tramitava na Assembléia Legislativa do Estado, sendo reprovado por questões políticas, políticos que não aceitavam a criação deste município. Entre eles o Coronel Firmino Gomes que perseguiam o seu ex-companheiro politico Branco Uchôa, principal responsável pelo projeto e pela comunidade de Santa Luzia do Daréu.
Mas o projeto foi bem sucedido após a manobras políticas, ou seja, Branco Uchôa que já tinha contatos com o Deputado Temistocre Teixeira, juntos traçam ideias para aprovação do projeto mudando o nome de Santa Luzia do Daréu para Presidente Vargas em homenagem ao Presidente Getúlio Vargas, pois haviam bancadas de Deputados que eram fãs do movimento Getulista.

E finalmente, a Assembléia Legislativa do Estado do Maranhão, no dia 09 de junho de 1964, aprova a Lei Estadual Nº 2.376 que cria o Município de Presidente Vargas, passando a vigorar com a data de sua publicação, cujo acontece em 15 de junho de 1964.

Conta-se, que após este ato, o governador do Estado do Maranhão Newton Bello Barros, dias após a publicação no Diário Oficial, veta a lei que criaria o Município Presidente Vargas, impedindo a instalação (Emancipação Política) a pedido do Coronel Firmino Gomes. Decepcionado com a política de Vargem Grande, o Sr. Branco Uchoa decide ir embora da cidade de Vargem Grande e se muda para a cidade de São Mateus com toda a sua família.
Passados alguns meses morando na cidade de São Mateus, Branco Uchôa recebe o convite de amigos que o acompanhavam na política no seu povoado de origem, que os convidaram a voltar a morar na comunidade que já havia se emancipado politicamente, Santa Luzia do Daréu já havia elevado à categoria de cidade por intermédio de outros políticos que haviam se apossado do seu projeto.

Branco Uchôa sempre foi um homem brando, sério, humilde e lutador, gostava sempre de olhar pra frente e lutar pelo seu povo. Vendo seu projeto concluído, aceitou voltar a morar no lugar que sempre sonhou e decidiu concorrer a primeira eleição do seu então município, “Presidente Vargas – MA”.

Wladmir Barbosa Uchôa – 1º Prefeito eleito – (1965 à 1969)

Branco Uchôa foi autor, mentor e o principal responsável pela criação do Municipio de Presidente Vargas – MA. E, também foi o primeiro prefeito, gestor público, eleito pelo voto direto do povo presvarguense que o adimiravam, vencendo nas urnas dois candidatos adversários; o Senhor Tunico Frazão (Antônio Uchoa Frazão) ex-vereador da cidade de Vargem Grande, seu segundo concorrênte foi o Senhor Nezinho Pinho (Sidney de Sousa Pinho) morador do Povoado Boa Hora, uma das maiores comunidades daquele município recém-criado.

Branco Uchôa como era chamado tinha como vice na sua chapa o senhor Aldeziro Lopes de Abreu da comunidade de Gaiolinha que fica à margem do rio munim. A Eleição aconteceu em 03 de outubro de 1965 e os eleitos tomaram posse em 26 de novembro do mesmo ano na Câmara Municipal provisória que funcionava na casa do vice-prefeito Aldeziro Lopes de Abreu.
Como obra importante da sua gestão, fez o prédio da prefeitura no qual também funcionava a delegacia da cidade na rua principal, fez o prédio escolar através do Governo Federal, hoje o prédio é conhecido como Escola Municipal Wladimir Barbosa Uchoa, e também construiu o primeiro mercado municipal.
Para trabalhar no ensino de alfabetização da educação básica do município Branco Uchôa trouxe uma professora Helenita Pestana.

Na area de transporte Branco Uchôa comprou o primeiro veículo da prefeitura do municipio, um veículo caminhão basculante (caçamba) para ajudar no transporte de material para as construções públicas.
Na area de infra-estrutura do municipio consturiu 4 pontes na estrada que liga ao povoado Leite.

Seu mandato (Biênio: 26/11/1965 à 30/01/1970) teve duração de quatros anos e dois meses e quatro dias, no entanto, não consegiu eleger seu candidato a sucessor.
Como subordinados às principais secretarias, Branco Uchôa tinha como Secretários: Secretário de Administração – Raimundo da Costa Uchôa (Nato Uchôa). Secretária de finanças/Tesoureira – Raimunda da Costa Uchôa (Diquinha Uchôa)
No Poder Legislativo: legislavam os seguintes vereadores;

 – Francisco Procópio Frazão
 – Evaristo Rodrigues de Sousa Frazão
 – Gregório José Nicácio
 – Domingos Pinto da Silva
 – Felício Uchôa da Silva
 – Dário Faustino Frazão
 – Josefa Arcanja da Silva
 – Jorge Uchôa Frazão

Branco Uchôa deixa a Prefeitura Municipal de Presidente Vargas, mas continua na luta política fazendo oposição ao grupo político do seu sobrinho Tunico Frazão.
Nas eleições municipais de 1972, após um mandato chamado tampão aonde todos os prefeitos do Brasil administraram por apenas três anos, e, em Presidente Vargas o prefeito era Luís Alberto coqueiro. Branco Uchôa incentiva o seu terceiro genro (Afonso Celso Viana Neto) a concorrer ao cargo de prefeito municipal de Presidente Vargas. Neste período não foi bem-sucedido, pois o seu genro perdeu a eleição novamente para o grupo político de Tunico Frazão com Joca Mendes sendo eleito.
No ano de 1974, Branco Uchôa após completar os seus 65 anos de idade, têm a sua saúde comprometida, passou a viver mais na capital São Luís para tratamento de saúde, tinha uma grande complicação cardíaca. Já era o mês de novembro daquele ano quando Branco Uchôa decidiu fugir do Hospital de São Luís para Presidente Vargas. No domingo dia 09 após chegar da missa foi-se deitar para dormir, já era madrugada quando começou a passar mal, foi atendido pelo médico leigo Benedito Leandro do Lago, mas não a resistiu a insuficiência cardíaca, e veio a falecer na matina do dia 10 de novembro de 1974.
Branco Uchôa deixa a sua esposa viúva e muitas saudades eternas ao povo daquela pequena povoação que com a sua luta conseguira elevar a categoria de cidade, tornando-se o município dos presvarguense.
Seu legado e história de luta e bravura política é comemorada nos atuais dias, na data de seu falecimento como feriado municipal decretado por uma lei municipal.

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